11.10.08

Um olhar ácido sobre a crise financeira

..."O Quim da Bouça tem uma tasca na aldeia do Carrapato. Desde que começou a vender aos seus leais fregueses bagaço e figos, uns copos de tinto e a assentar no livro, que entretanto foram aumentando - os fregueses - significativamente, todos apreciadores do bagaço, dos figos e do tinto, mas também todos ou quase todos desempregados.
Porque decide vender fiado, pode aumentar um bocado o preço da dose - a diferença e o aumento que os aldeões pagam pelo crédito e o aumento da margem para compensar o risco.
Como todo o comerciante que se preze, o Quim da Bouça tem aberta uma conta bancária numa agência da vila próxima. O gerente do banco, um ousado administrador formado pelo ISEAEC (Instituto Superior de Economia Aplicada a Estes Casos), decide que o livro de fiados da tasca constitui, afinal, um activo cobrável e começa a adiantar dinheiro à tasca do Quim da Bouça, tendo os fregueses, comedores de figos e bebedores de bagaço e tinto, como garantia.
Na cidade grande, uns executivos de bancos, apreciam os tais cobráveis do banco do Quim da Bouça, e transformam-nos em activos em OVNIS, SOS, POP ou CDO ou outro qualquer acrónimo financeiro, que ninguém sabe exactamente o que quer dizer e muito menos a quem se referem.
Esses adicionais instrumentos financeiros, transformam-se nas alavancas do mercado BM&F (Bom Mercado & Fiado), cujo capital inicial todos desconhecem, e que são, nada mais, nada menos¿ afinal, os livros de fiados do Quim da Bouça.
Esses derivados estão a ser negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de perto de cem países.
Até que alguém descobre que a tasca da aldeia do Carrapato não tem dinheiro para comprar mais bagaço, mais tinto e figos, e vai à falência. E toda a cadeia pifa no mesmo dia.
Como o tasqueiro, Quim da Bouça, não possui propriedades que possam ser vendidas e não apresenta quaisquer outros rendimentos, mas possui, à socapa, bons fundos que lhe assegurem o futuro desanuviado, mas em nome dum filho menor de idade - fundo intocável - não paga a ninguém e ainda se queixa, mostrando o livro de fiados, da sua desventura.
Abandona a aldeia do Carrapato, vai para bem longe, onde não seja conhecido, reabre uma nova tasca onde já não haverá mais fiados e a vida continua a sorrir-lhe...
Há muitos Quins da Bouça pelo mundo. Mesmo e talvez sobretudo em Portugal."

(retirado de IOL Diário - Artigo do leitor J Seromenho)

7.10.08

Tudo bons rapazes

Em Portugal o Ministério Público (MP) é o órgão do sistema judicial nacional encarregado de representar o Estado, exercer a acção penal, defender a legalidade democrática e os interesses que a lei determinar. (portal do cidadão)

Foram ontem detidos por posse de um arsenal de armas proibidas, por suspeitas de carjacking e de um assalto à mão armada numa ourivesaria em Sintra, três perigosos cadastrados por roubos.
O Grupo de Operações Especiais da PSP apreendeu três caçadeiras, um revólver, três pistolas calibre 6,35 mm, 250 munições de caça, várias munições 6,35 mm e .28 mm, uma faca, uma besta, e ainda gorros e luvas, além de sacos de plástico com moedas com o logótipo do BPI. Posto isto, as autoridades levaram os detidos à esquadra do Cacém onde
uma procuradora do Ministério Público de Sintra decidiu libertá-los a todos, com a medida de coacção mais leve, isto é, termo de identidade e residência.

Esta é de bradar aos céus: Um dos detidos tinha os documentos do carro que (alegadamente ) roubaram em sua posse. Confrontado com este facto alegou que alguém, que não ele, os tinha roubado e colocado aqueles papéis no seu bolso...
Esta ainda é melhor: A magistrada do MP aceitou a desculpa!!
(Fonte: correio da manha pág.8, de 07-10-08)

O presidente do Sindicato de Magistrados do Ministério Público (SMMP), António Cluny considera que a carreira dos magistrados não é minimamente estimulante. De certo modo, o trio de bons rapazes tem semelhantes queixas em relação à prática do seu oficio. Apreendem-lhes o material de trabalho e obrigam-nos a perder uma manhã, que quem sabe poderia ser bastante produtiva... Não se faz!!
Os agentes da PSP não terão razão de queixa. O sentimento de missão cumprida e consciência tranquila, além da adrenalina de serem confrontados com os respeitados cidadãos deverá bastar-lhes para se sentirem realizados profissionalmente.

Se o ministério público é um orgão encarregue de representar o Estado, então está tudo explicado...

6.10.08

Para bom entendedor...

"Quando a realidade se impõe como uma evidencia, não há forma de a contornar"

"O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos"

"A verdade gera confiança, a ilusão é fonte de descrença."

"O Estado tem de garantir dois valores essenciais, justiça e segurança"

"Este é o tempo em que aqueles que servem as instituições devem fazer prova do seu valor"

Escuta lá Zé, percebeste ou queres que te faça um desenho?

5.10.08

O(s) conquistador(es) da liberdade

Em 1139, depois de uma vitória na Batalha de Ourique contra os mouros, D. Afonso Henriques afirma-se como Rei de Portugal. No entanto, é no dia 5 de Outubro de 1143 que seu primo, Rei Afonso VII de Leão e Castela, reconhece Portugal como nação independente com o tratado de Zamora.
Portugal comemora assim, neste 5 de Outubro, 865 anos de independência. Devemos este marco na nossa história a um homem que se insurgiu contra o poder instalado, e lutou, com as armas e convicções próprias da época, por uma Nação livre.

Nos dias de hoje, os problemas deste jardim à beira -mar plantado são diferentes. Todavia, mesmo que não pareça, é necessário continuar a lutar pela liberdade, desta feita, não enquanto nação no mundo, mas enquanto indivíduos na nação.
Assim como D. Afonso Henriques lutou por um pais livre, também nós devemos lutar pela mesma causa. As batalhas travam-se agora em campos diferentes, as armas dos tempos modernos são outras, mas a causa continua a ser legítima - Liberdade de expressão, liberdade de escolha, liberdade para a indignação, liberdade para a cidadania...
É importante a participação de todos nesta luta. Podemos e devemos intervir, eleger, contribuir com opiniões, denunciar, exigir a quem de direito. Estas são as nossas armas para a criação de uma nação cada vez mais livre e justa, pois não há justiça se não houver liberdade.
A D. Afonso Henriques e a todos os homens e mulheres que fazendo uso do seu direito cívico teimam em não se alhear do rumo do seu país, bem hajam.

Nota: A comemoração de 5 de Outubro de 1910, não reúne o consenso de toda a população. A convicção acerca do melhor regime político para a nação é discutível. Por outro lado, a mesma data do ano de 1143 deverá ser recordada com orgulho por parte de todos nós.
É de lamentar que as vitórias antigas estejam a ficar esquecidas...


4.10.08

Precisa-se de matéria prima para construir um país

Recebi na minha caixa de correio electrónico um texto bastante interessante, que circula na Internet, acompanhado de um comentário e de uma sugestão que resolvi aceitar:

Precisa-se de matéria prima para construir um país
Eduardo Prado Coelho - in Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como
Cavaco, Durão e Guterres.

Agora dizemos que Sócrates não serve.

E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que
foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre
valorizada, tanto ou mais do que o euro.

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais
apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos
demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão
ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos
passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL,
DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo
o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para
eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda
a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:

- Onde a falta de pontualidade é um hábito;

- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo
nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.

- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem
que é ' muito chato ter que ler' ) e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica.

- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar
projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe
média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser ' compradas ' , sem se fazer qualquer exame.

- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma
criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto
a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.

- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre
a criticar os nossos governantes.

- Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates,
melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um
guarda de trânsito para não ser multado.

- Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como
português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que
confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como ' matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta
muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa ' CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA ' congénita, essa
desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se
converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade
humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é
real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,
ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o
suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima
defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas
enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar
primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve
Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a
força e por meio do terror?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a
surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os
lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente
estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone
começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento
como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam
um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada
poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:

Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o
responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)
que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de
desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa?.. MEDITE!

EDUARDO PRADO COELHO


Comentário
"Ora bem, eu achei muita piada ao texto e pensei em sugerir-te que o publicasses no teu blog.. entao fui tentar encontrar o texto oficial no site do público.. contudo, não consegui encontrar e decidi fazer pesquisa no google... qual não é o meu espanto quando encontro noticias (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=9&id_news=247009&page=0) de que o sr. Eduardo Prado Coelho estava a ser acusado de plágio de um artigo do qual ele não se intitulava como autor e do qual de facto não existia registo como crónica do Público...
Bem, o facto é que Eduardo Prado Correia faleceu a 25/08/2007 e este texto continua a circular como sendo da sua autoria..
Pessoalmente gostei imenso da crónica e penso que realmente se adapta à mentalidade portuguesa, contudo o seu autor é João Ubaldo Ribeiro e foi escrito para a realidade brasileira.
Uma vez que nos cafés hoje em dia já se ouve dizer que "qualquer dia isto é como no brasil.. só ha ricos e pobres e não se pode sair à rua..." então talvez esteja mesmo na hora de meditarmos sobre este texto... antes do discurso ser pior..

nota: queria só relembrar que realmente não convém acreditar em tudo o que se lê, a net tem coisas imensamente boas, mas há que saber seleccionar e filtrar a informação" (Ângela Marina)

O cronista do Publico declarou na altura que o caso já era do seu conhecimento e que nunca tinha publicado esse texto.

À (minha querida) Marina, obrigado

3.10.08

Vitória da liberdade

"O deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso, desistiu esta sexta-feira de uma queixa apresentada contra o autor do blogue Do Portugal profundo, que estava a ser julgada no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa.

António Caldeira, responsável pelo conteúdo do blogue, estava sentado no banco dos réus acusado de 49 crimes por difamação. Pedroso queria ainda uma indemnização cível no valor de 150 mil euros. Mas, na oitava sessão do julgamento, o deputado socialista desistiu da queixa.

Na base da queixa apresentada por Paulo Pedroso estavam textos divulgados no blogue, no ano de 2004, relativos ao processo da Casa Pia. O deputado terá tentado que o arguido pedisse desculpa, mas segundo apurou o PortugalDiário isso não aconteceu.

José Maria Martins, advogado de António caldeira, confirmou ao PortugalDiário a desistência do processo."

(noticia retirada do PorugalDiário)

Tenho acompanhado quase diariamente os posts que o professor António Caldeira publica no seu blogue. É um espaço onde se luta por um país livre, que denuncia casos de hipocrisia politica, mentiras eleitorais, e condutas menos corretas por parte de quem nos governa. Tem das caixas de comentários mais concorrida da blogosfera nacional, (que eu conheça) onde se trocam pontos de vista e se debate o estado actual da nação, e comentadores informados e de espírito crítico.

Ao professor Caldeira e a todos os que o acompanharam nesta luta judicial contra os irmãos Pedroso, os meus parabéns. A eles ainda, o meu obrigado, pois bateram-se por causas justas e sociais que nos diz respeito a todos nós: a liberdade de expressão e o sentido de justiça.


2.10.08

Indignação

Nem sei como começar... Sinceramente. Tenho uma imensa vontade de exteriorizar a minha indignação e vou servir-me deste recém nascido blogue para o fazer. Espero que os meio de comunicação divulguem convenientemente (se os deixarem) mais esta vergonha dos órgãos responsáveis pela (in)justiça do nosso país.

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu comutar em pena suspensa os cinco anos de prisão efectiva a que foi condenado um militar na reserva por abuso sexual de uma menina de 12 anos, em Bragança. O arguido beneficiou do novo Código Penal, que permite a aplicação de pena suspensa a condenações até cinco anos, contra os três anos previstos anteriormente.

Em acórdão datado de 25 de Setembro, o STJ decidiu que o arguido fica com a pena suspensa subordinada ao pagamento de 10 mil euros à criança, no prazo máximo de três meses, "a título de reparação do mal do crime". O arguido terá ainda que prestar trabalho a favor da comunidade num total de duzentas horas, cujos termos o Tribunal Judicial de Bragança ainda não decidiu.

Os factos remontam a 14 de Novembro de 1999, na freguesia de Espinhosela, concelho de Bragança, quando o arguido violou a criança. Na altura, o sargento-mor do Serviço da Polícia Militar, na reserva, tinha 58 anos. O sargento era familiar da criança.

Após recursos, o caso chegou ao STJ, que agora decidiu suspender a pena, considerando que "não se colocam preocupações de monta ao nível da reinserção social do arguido e que nada se pode apontar quanto ao seu comportamento anterior ao crime, ou posterior ao mesmo". O STJ argumenta que o arguido "continua com o registo criminal limpo, mais de oito anos volvidos sobre os factos".

Na decisão do Supremo pesou ainda o facto de o arguido "estar inserido familiarmente e ser socialmente bem considerado.”. Acrescentando que “as necessidades de prevenção especial não se mostram, muito fortes, no caso".

No entanto, sublinha que é "importante fazer sentir ao agora condenado os efeitos da condenação. O seu comportamento foi altamente censurável e o recorrente não pode deixar de o interiorizar".

O tribunal lembra que o arguido "causou danos psicológicos". O acórdão frisa ainda que o sargento "não assumiu qualquer atitude demonstrativa de arrependimento".
(noticia retirada do público on line)

Que país é o nosso? Que tipo de leis nos regem?
Já não bastava a benevolência da primeira instância ao aplicar apenas 5 aos de prisão a um violador, pedófilo e que não demonstrou sinais de arrependimento, que depois o STJ ainda suspende a pena!!
Existe actualmente todo um conjunto de leis que favorece os bandidos, os pedófilos e toda a corja que não merece sequer o ar que respira. A lei em vigor convida a dois tipo de situação: à reincidência do crime, uma vez que os seus autores continuam a gozar de plena liberdade, e à justiça pelas próprias mãos, dado que temos uma legislação moroso, descredível e revoltante.
Julgo que quando o código penal é revisto, o objectivo é beneficiar a sociedade e fazer valer o rigor e o sentido de justiça. Neste caso o governo beneficiou os criminosos oferecendo-lhe penas mais leves, prisões domiciliárias e absolvição em penas até 5 anos.

Legisladores, juízes e membros do Governo, enfim, os detentores do poder e responsáveis por este novo código penal, como se sentiriam se fosse uma filha ou neta vossa?

1.10.08

Ideias que valem milhões

Para comemorar os 10 anos da Google a empresa lançou um novo projecto. Chama-se Project 10^100 - May those who help the most win ( Que vençam os que mais ajudarem) - e tem como objectivo recolher ideias que possam mudar o mundo, ajudando o maior numero de pessoas possível. Até ao dia 20 de Outubro, os interessados podem enviar as suas ideias, sendo que a Google escolherá as 100 melhores, remetendo depois a votação para o público (a iniciar no dia 27 de Janeiro de 2009), que votará nas 20 melhores. Desta lista sairá as 5 vencedoras, seleccionadas por um concelho consultivo.
O prémio a atribuir são 10 milhões de dólar destinados a implementar os projectos vencedores.
O dinheiro pode ser o ponto de partida mas o fundamental é a ideia.

A avaliação de critérios será a seguinte:
Alcance: Quantas pessoas são afectadas pela ideia?
Profundidade: Qual o impacto nas pessoas visadas? Qual a urgencia da necessidade?
Acessibilidade: Poderá essa ideia ser implementada dentro de um ano ou dois?
Eficiência: A ideia é simples e rentável é a ideia?
Longevidade: Quanto tempo irá durar o impacto da ideia?

Toda a informação e candidatura aqui



30.9.08

Purificador de consciências

Vou deixar no post de hoje uma sugestão à estação televisiva SIC e à sua produtora CBV, de Piet Hein Bakker.
Enquanto que outros concursos para se dignarem a oferecer elevadas quantias de dinheiro aos participantes exigem estudo, cultura geral e o perigo de admitirem que não sabem mais que um puto, o programa "Momento da verdade" apenas pede aos concorrentes que se sentem confortavelmente e respondam com sinceridade a perguntas do forro pessoal e sentimental. Assim, e aproveitando o facto de que
este concurso desvenda os segredos mais íntimos dos participantes, expondo a sua vida privada em praça pública, sugiro o relançamento de dois outros programas, qual Fénix renascida... É uma jogada de Marketing fenomenal. Além do entretenimento, cria-se necessidades e em seguida a oportunidade de satisfazer as mesmas.
Vejamos: Se alguém assume perante o seu cônjuge que já se deixou levar nas tentações da infidelidade, nada melhor que, algumas semanas mais tarde, reaparecer no grande ecrã empunhando um ramo de rosas vermelho embalado no jingle do "Perdoa-me" , ao lado da Alexandra Lencastre ou da Fátima Lopes.

Problema sentimental resolvido, chega a vez de resolver os conflitos legais. Um concorrente que admita ter roubado, chantagiado ou que tenha posto a público qualquer outra confissão passível de manchar o cadastro, irá com certeza precisar de ajustar contas com a lei. É então que (re) surge Eduarda Maio, a anunciar a entrada do Meritíssimo e deixar a justiça nas mãos de quem sabe... "O Juiz decide".
Serviço público ao mais alto nível (ou não...). Esta saga televisiva permitiria lavar a consciência dos portugueses e colocar ao seu dispor mecanismos eficazes para limpar os destroços de tal lavagem. Seria um pouco como no filme "Cabine telefónica" de Joel Shummacher, mas sem o perigo de levar um tiro nos cornos. Quanto ao aspecto financeiro, seria dinheiro em caixa para a estação de Carnaxide, uma vez que as audiências iriam subir em flecha. Português que se preze, não resiste a uma apaixonante reconciliação e à reconstrução de uma vida alheia feliz.
Aproveitem a dica, que é de borla...!!


28.9.08

Alerta máximo

Há algum tempo atrás li "O sétimo selo", de José Rodrigues do Santos. Confesso que fiquei assustado com a informação científica e actualizada presente no 5º romance do escritor português. "De Portugal à Sibéria, da Antárctida à Austrália, o sétimo selo transporta-nos numa empolgante viagem ás maiores ameaças que se erguem à sobrevivência da humanidade."
Foi ao ler um artigo do Correio da Manhã on line, que este livro me saltou à memória: Alerta máximo - Portugal e Espanha em risco. Sem água potável já em 2025.
O problema de falta de água em Portugal já é uma realidade. Não é algo que acontecerá num futuro longínquo. É daqui a 17 anos e afectará a maioria das populações.
"Se todos os países do Mundo deixassem de emitir gases com efeito de estufa, seriam necessários três séculos para a natureza recuperar dos danos sofridos", afirmou o meteorologista Anthímio de Azevedo, baseando-se nas conclusões do Painel Intergovernamental para Alterações Climáticas.
É urgente a consciencialização das populações para os problemas ambientais que vivemos. Os nossos governantes têm a obrigação de agir, não com falsos protocolos de Kyoto, mas com medidas que reneguem os interesses políticos. A comunicação social deve informar os menos esclarecidos sobre os reais e graves problemas que enfrentamos. O nosso mundo corre sério perigo de vida.
Vivemos um processo sem retorno e somos co-responsáveis pela nossa própria morte anunciada.

27.9.08

Manahmanah



Desculpe, não percebi...!!
Importa-se de repetir?

25.9.08

Magalhães - Factos e questões

Apesar de ter adquirido o meu primeiro telemóvel com 16 anos e o meu primeiro computador com 26(tenho 27), reconheço que é fundamental para as novas gerações entrarem em contacto com a tecnologia e a informática cada vez mais cedo. Também me parece óbvio que os computadores e a Internet são hoje uma ferramenta indispensável no domínio profissional e educacional.
Vem este meu post de hoje a propósito do programa "e.escolinha", baseado nos princípios do programa “e.escola”, que tem como objectivo o acesso ao portátil "Magalhães" por parte de todas as crianças. do 1º ciclo. "O governo vai distribuir 500 mil computadores com acesso à Internet ás crianças do ensino básico. O novo computador será gratuito para os alunos inscritos no primeiro escalão da acção social escolar, e terá um custo de 20 euros para as crianças do segundo escalão. Para os não abrangidos pela acção social escolar, o computador Magalhães terá um custo máximo de 50 euros."
Não me julgo uma pessoa pessimista, muito menos do género "bota abaixo por dá cá aquela palha" ou Velho do Restelo, mas esta iniciativa, muito bem colorida por parte do governo e das televisões, tem, como em quase tudo, um lado controverso e menos bom.Visto tratar-se de crianças, o facto de se facultar a oportunidade de aceder ao imenso mundo da Internet levanta alguns problemas.
É certo que o Magalhães vem equipado com filtros para limitar o acesso ao mundo digital, mas também é verdade que esse software vem instalado mas desactivado, cabendo aos pais a escolha das página que os pequenos podem visitar. A pergunta: está a maioria dos encarregados de educação capacitado para lidar com essa tarefa informática?
É certo que a entrega dos computadores é efectuada através das escolas, podendo estas servir de apoio aos pais desinformados tecnologicamente. A pergunta: estão os professores primários preparados para esclarecer quem necessite de informação nessa área?
É certo que cabe à família a vigilância e o controle parental sobre o equipamento e a sua utilização. A pergunta: têm os pais tempo e disponibilidade para acompanhar a "navegação" dos novos cibernautas?
É certo que o ensino das novas tecnologias é cada vez mais importante no mundo global em que vivemos. A pergunta: É possível encaixar esta matéria no horário escolar sem negligenciar disciplinas base para a formação de valores humanos e e sociais tão importantes nesta idade?
O lançamento do Magalhães é, apesar de tudo, importante, mas penso que a sua viagem deveria começar apenas quando a resposta a todas as perguntas acima colocadas fosse"SIM", mas nesse caso, ele não chegaria a tempo da data conveniente - Outubro de 2009.

Nota:"A cada idade do Homem, Deus dá-lhe as suas inquietudes"(Baden Powell). Espero que a brincadeira com a Maria, os jogos do elástico e das escondidas com a Joana , assim como as partidas de futebol com o Carlinhos, não sejam substituídos pelas "conversas" com o Magalhães.

23.9.08

Portugal envelhecido

O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou na semana passada o último estudo demográfico português. As estatísticas são alarmantes.
Conforme publica o Expresso do dia 20, "a relação entre novos e velhos é de 114, isto é, existem 100 jovens (menos de 15 anos), para cada 114 idosos (65 em diante)".
A comentadora Ângela Marina deixou-nos um texto bastante interessante na caixa de comentários do segundo post, (Pedido aos professores) deste ainda recém nascido blogue, que vai à origem dos resultados demográficos do nosso Portugal envelhecido.

"Afinal, apesar da taxa de natalidade continuar a diminuir, ainda há quem tenha a coragem de ter filhos... Coragem? Não sei se lhe podemos chamar assim.. Instinto maternal/paternal? O perpetuar da descendência? Em alguns (muitos) casos devido a um acidente de percurso.. Quantas pessoas nos dias de hoje tomam a decisão consciente de ter um filho e pensam nas consequências que isso acarreta? Numa sociedade em que cada vez somos mais egoístas... Num país com uma situação económica cada vez mais difícil para a maioria das famílias e onde se exige cada vez mais... Produtos de higiene xpto, cremes, papas sem glutem, carrinhos com direcção assistida, roupas tão pequenas que custam mais que as de um adulto, um arsenal de materiais esterilizados e brinquedos que não sejam tóxicos... o preço das creches e dos jardins-de-infância... sim, poque já são raros os avós que tomem conta dos netos (até porque nem é aconselhado, as crianças precisam interagir com outras crianças e o jardim estimula o desenvolvimento). Numa sociedade em que se tem de trabalhar das 8/9h da manhã até às 18/19h, fora enfrentar as filas de transito até chegar a casa.. e entre todas as actividades extra-curriculares das crianças, e dos pais que devem praticar desporto, e por isso têm de arranjar espaço no seu horário para ir ao ginásio... Fazer jantar, e muitas vezes ainda levar trabalho para casa.. enfim...
Que tempo (e que vontade) resta afinal aos pais para educarem os seus filhos? E que tempo resta aos pais, como casal, para manterem e se dedicarem a um relacionamento a dois? Não é dificil perceber a elevada taxa de divórcios... e a crescente responsabilidade atribuida aos professores e educadores.
Afinal quem tem coragem de ter filhos?
São por isso cada vez mais as familias mais carenciadas, aquelas que até beneficiam dos apoios do estado, e que muitas vezes nem tem trabalho, que acabam por ter filhos..
Afinal... coragem ou insconsciência???"

À (minha querida) Marina, obrigado.

22.9.08

Quem não estudar e não souber... Também passa

Portugal precisa de melhorar nas estatísticas europeias na área do ensino?
Então o Ministério da Educação tomou medidas drásticas...
A saber:
Para concluir o 9 ano passa-se alunos com 5 e 6 negativas e anuncia-se que passar todos os alunos do 9º ano é objectivo do governo.
Para concluir o 12º ano oferece-se uma nova(s) oportunidades(s) e faz-se 3 anos de escolaridade em 6 messes.
Para entrar para a faculdade fazemos exames fáceis ás disciplinas difíceis.
Agora a minha sugestão, apesar de já não ser inédito: Para terminar licenciaturas, os alunos com dificuldade em línguas, fazem exames em casa a um Domingo e enviam-no por fax para a Faculdade.
Perante estas medidas só me apetece dizer "Porreiro pá"!!

21.9.08

As pessoas são o centro dos negócios

A Starbucks abre o seu primeiro café em Portugal no dia 30 deste mês, em Alfragide.
A este gigante americano, presente em 46 países, poucos negarão a qualidade dos seus cafés e o ambiente agradável e acolhedor que envolve qualquer loja desta marca. Mas a cultura e sucesso da empresa assenta na química que cada empregado (chamam-lhes partners) estabelece com os clientes."Queremos partners preparados, motivados e felizes. Se isso não se verificar o projecto não avança", diz no caderno de economia do Expresso de ontem, Álvaro Salafranca, director geral da Strabucks para o mercado Ibérico. A Starbucks encontra assim, no atendimento ao cliente, a sua grande aposta.
O demarcar-se da concorrência, é nos mercados de hoje, a principal arma das empresas. Contudo, é cada vez mais difícil obter diferenciação no produto, (devido à elevada e competitiva concorrência) e na qualidade (devido aos sucessivos avanços tecnológicos, que cada vez mais,estão ao alcance de qualquer um). O preço por si só, é apenas mais um factor, uma vez que a percepção do preço varia conforme o público alvo e conforme a mais valia que o cliente confere ao produto, bem como o valor que lhe atribui.
Mesmo que uma empresa consiga demarcar-se da concorrência em todos estes aspectos, mas não tenha incutida uma cultura organizacional empenhada nos seus colaboradores, na sua formação e em toda uma infra-estrutura orientada para a solução dos problemas e para a satisfação das necessidades dos seus clientes, será um fracasso a médio prazo. Não é certamente o caso desta empresa, no mercado desde 1971, que sabe que as pessoas continuam a ser o centro dos negócios, apesar de vivermos numa sociedade cada vez mais fechada e egoísta onde as máquinas vão tomando o lugar dos humanos.
É costume ouvir que o mundo dos negócios é frio e desumano, mas é neste mundo que um "se faz favor" ou um "obrigado" ainda persistem e onde as relações personalizadas e emocionais têm mais valor.


20.9.08

Quem não vota como o Sr. quer é indisciplinado?

A disciplina de voto é uma prática que constitui para um deputado a obrigação de votar conforme a vontade do partido ou da bancada. Sim, uma obrigação, não uma recomendação, uma vez que o não cumprimento desta prática pode levar a sanções. Afinal em democracia (representativa), também existe a coação de voto!!
A democracia actual define-se através de partidos, que competem entre si, para definir quem governa e quem representa o povo, logo, sem disciplina partidária não há partido, logo não há democracia. Mas, não é a própria democracia que diz que o voto é um direito pessoal a ser exercido de livre vontade, em consciência e sem pressões exteriores ?
Julgo que continuar com estas regras para garantir a sobrevivência dos partidos, é uma faca de dois gumes. Ou seja, consegue-se manter o equilíbrio interno partidário, mas através da disciplina de voto, o chefe do Governo, pode persuadir as intenções de voto dos deputados eleitos pelas listas do seu partido e sendo também o líder do partido maioritário consegue atingir a maioria de um órgão que deveria fiscalizar o governo, mas que afinal é controlado e fiscalizado por ele.
Fica assim a ideia de que os deputados são instrumentos da liderança partidária, que em certas ocasiões são despojados do direito de voto e da capacidade de pensamento próprio.

18.9.08

(Falta de) Autoridade da Concorrência

Horas depois do ministro da Economia, Manuel Pinho, ter dito que o preço dos combustíveis devia baixar como o petróleo, a BP aumentou em um cêntimo a gasolina. Ora aí esta um clara mensagem que elucida os portugueses sobre quem manda afinal.
O ministro da Economia garantiu que, "se os preços dos combustíveis não começarem a reflectir efectivamente a decida do preço do petróleo nos mercados internacionais, o Governo vai intervir". Que medo!! Pensaram os administradores da Galp BP e Repsol.
Que medidas vai o Governo tomar? Descer o imposto sobre produtos petrolíferos (IP) com certeza que não, visto que não é uma medida vantajosa para os cofres do Estado e aplicar uma fixação administrativa é contra natura, uma vez que que nos encontramos em liberalização de mercado desde 2004.
Resta ao governo a Autoridade da Concorrência (AdC), uma entidade que tem
poderes de fiscalização e punição. Ora, segundo o recente estudo da AdC, "não é possível concluir que os aumentos efectuados este ano nos preços de venda ao público dos combustíveis antes de impostos tenham uma origem nacional, não existindo também indícios de uma prática de preços excessivos que pudesse ser imputada a um ou mais dos agentes económicos", ou seja, não existe cartelização. Deste modo somos levados a pensar que a subida dos preços é o reflexo da evolução dos preços do petróleo e consequentemente o preço à saída das refinarias. Mas, conforme recordou o professor do Instituto Superior Técnico, António Costa e Silva ao noticiário da TSF, o petróleo já baixou 35 por cento desde que atingiu o seu máximo de 147 dólares, mas que a gasolina em Portugal apenas registou uma queda de seis por cento e o gasóleo uma descida de dez por cento. Não estamos então, perante uma prática de preços excessivos?
Algo de estranho se passa... O estudo diz uma coisa e os factos revelam-nos outra. Além das companhias a operar em Portugal, especialmente a Galp devido ao monopólio de refinaria, quem mais é parte interessada nos lucros astronómicos destas empresas?
Parece-me que estamos perante uma falta de autoridade da concorrência.

17.9.08

Paraolímpicos 2008 - o bom e menos bom

foto GOH CHAI HIN/AFP

Terminaram hoje os Jogos Paraolímpicos 2008, numa cerimónia que decorreu no imponente Ninho de Pássaro.
O menos bom:
Ao contrario do que é costume dizer-se, penso que os gostos se discutem. Isto a propósito do slogan da campanha de marketing levado a cabo pelo Comité Paraolímpico de Portugal. O mesmo dizia "É nisto que somos bons". Não gosto e julgo que a frase não é feliz. O slogan esbarra na armadilha da dupla interpretação, não é claro na sua mensagem e dá azo a comparações desfasadas. Afinal em que é que somos bons? E os outros atletas (os olímpicos) não são bons? É apenas "nisto" que Portugal é bom?
Não sei o que passou na cabeça do pessoal do departamento de Marketing, mas eles que se cuidem, pois estão uns quantos muito bons a terminar a licenciatura nessa área... ;)
Sei que a campanha recebeu algumas críticas menos boas quando saiu para a rua, mas penso que durante a competição é preferível canalizar todo o nosso apoio e atenção para os atletas. É esta a altura de analisar o que correu bem e menos bem de modo a ser possível fazer mais e melhor para Londres 2012.
O bom:
A Comitiva Paraolímpica regressa a Portugal com sete medalhas. Uma de ouro, quatro de prata e duas de bronze. Tendo em conta o elevado nível da competição, os resultados foram bastante positivos. "Queríamos que a participação dignificasse o país e fosse um acto de superação e isso foi atingido", afirmou Humberto Santos, lembrando que além das sete medalhas conquistadas, "a generalidade dos atletas conseguiram bater recordes pessoais e alguns nacionais".
A todos eles os meus parabéns, não só pelos resultados, mas também pelo esforço e empenho.

Lista de medalhados:

Atletismo

Luís Gonçalves, prata nos 400m T12

Boccia

António Marques, prata em BC1, Individual
João Paulo Fernandes, ouro em BC1, Individual

António Marques, Cristina Gonçalves, Fernando Ferreira e João Paulo Fernandes, prata em BC1/BC2 Equipas

Armando Costa, bronze em BC3, Pares Eunice Raimundo Mário Peixoto

Bruno Valentim, prata em BC4, Pares Fernando Ferreira

Natação

João Martins, bronze em 50 m costas S1

16.9.08

Pedido aos professores

Começou ontem o ano lectivo para a maioria dos alunos do primeiro e segundo ciclo. Não vou falar dos sistemáticos atrasos na colocação dos professores ou mesmo nos 40 mil que estão desempregados. Não vou lamentar a falta de recursos humanos e sociais em que muitas escolas se encontram. O acordo de cooperação na área da educação entre o governo e as autarquias também ficará para outra altura. Nada disso, o post de hoje vem trazer um pedido.
Na sociedade actual, muitos dos encarregados de educação abandonam o seu papel de educadores apontando, erradamente, os professores da escola, do Karaté e o chefe dos escuteiros como principais formadores. Em muitas situações são estas entidades os únicos pilares educacionais. É a estas entidades que presto homenagem e faço o mesmo pedido que alguém fez à 178 anos atrás.

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."

Abraham Lincoln, 1830

15.9.08

Quem diz que não há justiça em Portugal?

Derrubadas alugumas alianças, compadrios, burocracias e quem sabe um ou dois postos de trabalho, os responsáveis pelo processo "Apito Dourado"detêm o Sr. Pinto da Costa em Dezembro de 2004. Ao fim de três horas tudo volta à normalidade, como mandam os brandos costumes portugueses.
Mas, engane-se quem pensa que a nossa justiça ficou por aqui. Não senhor. Neste país quem não cumpre as leis é punido. A justiça tarda mas chega, dizem uns, a verdade vem sempre ao cimo, dizem outros.
O fora da lei já tem a sua sentença. O Tribunal da Relação do Porto concluiu que o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, foi detido irregularmente no âmbito do processo Apito Dourado e decidiu que deve ser indemnizado pelo Estado em 20 mil euros.
"E esta hã...?"